Autor Anderson

Google Chrome 90 vai usar HTTPS por padrão e acelerar carregamento de sites

Google Chrome está na versão 89, mas não por muito tempo: o Chrome 90 para Android e desktops já chegou à fase beta. Essa versão vai trazer uma novidade importante: a partir dela, o navegador assumirá, por padrão, que o endereço digitado pelo usuário começa com https://, característica que deve melhorar o carregamento das páginas.

É uma mudança bastante coerente, tanto que poderia ter sido implementada antes. Isso porque, hoje, a maior parte dos sites tem suporte a HTTPS — o símbolo de cadeado que praticamente todos os navegadores exibem na barra de endereços é a maneira mais fácil de comprovar isso.

A adoção do HTTPS ganhou força depois que o Google passou a sinalizar páginas HTTP como não seguras no Chrome. Além disso, o certificado virou critério de classificação nas buscas: se duas páginas possuírem conteúdo equivalente, a que tiver HTTPS tem mais chances de aparecer em posição privilegiada nos resultados.

Apesar disso, sempre que o usuário digita um endereço nunca antes acessado ali, o Chrome tenta entrar no site inserindo http:// no início da URL e só faz o acesso com https:// depois de ser redirecionado — ninguém digita um endereço como https://tecnoblog.net, mas algo como tecnoblog.net, então cabe ao navegador completar a URL.

Com a versão 90 (e sucessoras), o navegador tentará acessar um endereço digitado pelo usuário com https://. Se o site não tiver suporte a HTTPS ou se houver algum problema com o certificado, o Chrome tentará fazer o acesso com http://.

Essa é uma mudança simples, mas que, de acordo com o Google, poderá incrementar um pouco a segurança da navegação e, principalmente, tornar o carregamento de páginas com HTTPS mais rápidas.

Inicialmente, a mudança será direcionada ao Chrome 90 para desktops e Android, a ser liberado nas próximas semanas. A versão do navegador para iOS receberá o recurso em fase posterior.

Chrome 89 usa menos memória no Windows e aquece menos o Mac, segundo a Google

Google conhece bem a fama do Chrome e está trabalhando para melhorar isso na versão 89 de seu navegador. Segundo a empresa, a versão mais recente do Chrome traz melhorias que ajudam a usar menos memória, economizar energia e melhorar sua performance no geral. A Google relatou mudanças do Chrome 89 no WindowsMac e dispositivos Android, mas estranhamente não mencionou melhorias para o iOS.

Começando pelo Windows, onde a fama do Chrome usar muita memória já virou até meme, a Google diz que o Chrome 89 usa um alocador de memória mais avançado em mais áreas do navegador, o que permite um uso reduzido da memória. E isso vale para a versão Android do programa também. Segundo a empresa, seus testes mostraram redução do uso de memória de até 22% nos processos do navegador, de até 3% no uso da GPU e uma melhoria na responsividade geral de até 9%.

Essas melhorias no Android também economizam memória, mas menos. A Google relata que o Chrome 89 usa até 5% menos memória e oferece uma inicialização até 7,5% mais rápida. A empresa também promete carregamentos de página até 2% mais rápido e menos travamentos no app. Dispositivos high-end, com Android 10 ou mais recente, devem ver as páginas carregarem até 8,5% mais rápido, com um uso mais “fluido” em 28%.

Indo para o MacOS, o Chrome 89 passa a lidar com abas no background da mesma maneira que ele já faz em outros sistemas, trazendo uma economia de memória de até 8%, segundo a Google. A empresa destaca que uma das principais vantagens com as mudanças é a pontuação do navegador no impacto no uso da energia, algo que foi melhorado em até 65%. Isso deve manter o Mac mais frio durante o uso e, por consequência, mais silencioso, já que os ventiladores não vão precisar trabalhar tanto para resfriá-lo.

O Chrome 89 está disponível para download e, se você já usa o navegador e não mudou as configurações padrões, ele já deve ter sido atualizado automaticamente. Alternativamente, você pode clicar em “Sobre o Google Chrome” na aba “Ajuda”. O navegador vai verificar a versão atual e baixar a atualização, se precisar.

Intel vai liderar projeto de criptografia do Departamento de Defesa dos EUA

Programa de proteção de dados da Darpa visa tornar a criptografia totalmente homomórfica uma realidade

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa), ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, anunciou quatro novas equipes de pesquisa, incluindo uma liderada pela Intel que tentará tornar a criptografia totalmente homomórfica (FHE) uma realidade prática.

A FHE sempre foi uma aspiração dos especialistas em criptografia, já que permite computação, análise e outros usos de informações criptografadas sem a necessidade de descriptografá-las. Isso ajudaria a encontrar um equilíbrio melhor entre a capacidade de usar dados confidenciais em toda a sua extensão e minimizar o risco de exposição.

A criptografia totalmente homomórfica é uma abordagem de segurança de dados que fornece prova matemática de criptografia usando meios criptográficos, fornecendo um novo nível de certeza sobre como os dados são armazenados e manipulados. Hoje, a criptografia tradicional protege os dados armazenados ou em transmissão, mas as informações devem ser descriptografadas para realizar um cálculo, analisá-las ou empregá-las para treinar um modelo de aprendizado de máquina. A descriptografia coloca os dados em risco, expondo-os a comprometimento por hackers experientes ou até mesmo vazamentos acidentais.

A FHE permite o cálculo de informações criptografadas, possibilitando que os usuários encontrem um equilíbrio entre o uso de dados confidenciais em toda a sua extensão e a eliminação do risco de exposição. Embora a FHE seja cada vez mais apresentada como um caminho viável a seguir, o problema até agora tem sido o poder de computação e o tempo necessário para conseguir isso. “Um cálculo que levaria um milissegundo para ser concluído em um laptop padrão demoraria semanas para ser calculado em um servidor convencional executando FHE hoje”, explica Tom Rondeau, gerente do programa de Proteção de Dados em Ambientes Virtuais (DPrive) na Darpa.

Para acelerar esse tempo de processamento de semanas para segundos ou milissegundos, a Darpa vai construir um acelerador de hardware como parte do DPrive, que em teoria ofereceria grandes avanços sobre as abordagens baseadas em software. O acelerador de hardware vai ser capaz de acelerar drasticamente os cálculos FHE, tornando a tecnologia mais acessível para aplicativos de defesa sensíveis, bem como para uso comercial.

As equipes de pesquisa anunciadas na segunda-feira, 8, pela Darpa são a subsidiária da Intel com foco em governo, a Intel Federal, a Duality Technologies, Galois e a organização sem fins lucrativos SRI International.

O trabalho de cada um é criar um hardware acelerador FHE e uma pilha de software projetada para processar cálculos FHE em uma velocidade semelhante às operações de dados não criptografados.

Ao fazer isso, eles irão explorar o uso de CPUs com diferentes tamanhos de “palavras” — as unidades de dados que determinam o design de um processador. Eles vão tentar de tudo, desde palavras de 64 bits usadas em designs de processadores modernos até 1000 bits.

Eles também examinarão “novas abordagens para gerenciamento de memória, estruturas de dados flexíveis e modelos de programação e métodos de verificação formal para garantir que a implementação do FHE seja correta por design e forneça confiança ao usuário”, de acordo com a Darpa.

Como o co-design de algoritmos, hardware e software FHE é fundamental para a criação bem-sucedida do acelerador DPrive de destino, cada equipe está trazendo conhecimentos técnicos variados para o programa, bem como conhecimento profundo em FHE.

Se forem bem-sucedidos, podem ter aplicações militares e comerciais significativas. “Atualmente estimamos que somos cerca de um milhão de vezes mais lentos para computar no mundo FHE do que no mundo do texto simples”, disse Rondeau. “O objetivo do DPrive é reduzir o FHE às velocidades computacionais que vemos em texto simples. Se formos capazes de atingir esse objetivo enquanto posicionamos a tecnologia em escala, o DPrive terá um impacto significativo em nossa capacidade de proteger e preservar os dados e a privacidade do usuário.”

Projeto de lei quer inserir novo tributo aos serviços de streaming no Brasil

O deputado Filipe Barros (PSL-PR) elaborou o Projeto de Lei (PL) 640/21, que institui um novo tributo às plataformas de streaming no Brasil, como Netflix, Spotify, entre outros. Isso porque o texto prevê a instituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a receita bruta de serviços de disponibilização, distribuição, divulgação ou fornecimento de conteúdo pela internet, realizados com o intuito de exploração econômica.

Segundo a proposta, será instituída uma alíquota de contribuição de 3% sobre a receita bruta da empresa, decorrente da exploração econômica da atividade para usuários localizados no Brasil, mesmo que auferida no exterior. O texto prevê que a contribuição não será cobrada das empresas imunes ou isentas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), na exploração da mesma atividade.

“A intenção é tributar a receita bruta da pessoa jurídica, apurada globalmente em proporção do número de usuários situados no Brasil. Sobre esse valor incidirá uma a Cide-Internet com alíquota de 3%”, explica Barros. “Essa incidência, contudo, não abrangerá a receita da empresa que for submetida à tributação no País, mediante inclusão na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Ou seja, pretende-se tributar somente a parcela de receita que escapa da tributação nacional”.

Barros lembra ainda que o valor gerado pela distribuição de conteúdo por redes sociais e serviços de streaming, hoje, “fica distante do território nacional, em nada beneficiando a população”.

Quais serão as atividades de streaming serão tributadas?

De com o texto do PL, o CIDE será cobrado das empresas de streaming a partir das seguintes condições:

  • Quando a exploração econômica da atividade ocorra por intermédio de publicidade, patrocínio ou merchandising;
  • Direcionamento de conteúdo;
  • Coleta, distribuição ou tratamento de dados relacionados aos usuários;
  • Incentivo ou direcionamento à utilização de serviços;
  • Plataforma de pagamentos;
  • Exploração ou divulgação de imagem, texto, vídeo ou som relacionado a pessoa física, ou jurídica.

Caso se enquadre nessas condições, a empresa deverá informar à Receita Federal representante legal responsável pelo cumprimento da medida. Competirá à Secretaria da Receita a administração da Cide-Internet, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação, bem como o estabelecimento de obrigações acessórias.

Onde o dinheiro arrecadado será usado?

Segundo o autor do PL, caso a proposta seja aprovada, a arrecadação da Cide-Internet será destinada a investimentos em infraestrutura na rede de ensino público. O dinheiro será usado no fornecimento de equipamentos de informática e o acesso gratuito a internet para alunos, professores e servidores. E, se possível estendido à população em geral.

O deputado Barros afirma ainda que os valores arrecadados também poderá ser usados no financiamento de infraestrutura e projetos para defesa do Estado brasileiro e “combate à guerra cibernética”, sob supervisão do Ministério da Defesa.

O PL 640/21 está em análise na Câmara dos Deputados e ainda não há uma previsão de quando ele será votado na Casa.

Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março

Data é celebrada oficialmente desde 1975, mas sua origem remonta do início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.

Dia Internacional da Mulher é hoje uma data marcada por protestos que pedem igualdade de gênero — Foto: Getty Images

Muitas pessoas consideram o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativas, ela não foi criada pelo comércio — e tem raízes históricas mais profundas e sérias.

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo — aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos — as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época.

A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (na maioria, judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.

As origens do Dia Internacional da Mulher

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.

Na Rússia, em 1917, milhares de mulheres foram às ruas contra a fome e a guerra; a greve delas foi o pontapé inicial para a revolução russa e também deu origem ao Dia Internacional da Mulher — Foto: Getty Images

Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho — na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o “Dia Nacional da Mulher” americano.

Enquanto isso, também crescia na Europa o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.

“Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres”, explicou à BBC News Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

“A situação da mulher era muito diferente e pior que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época”, disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres.

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se tem hoje, era de uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

Em 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos; nessa época, eram frequentes os protestos também por melhores condições de trabalho — Foto: Getty Images

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo — 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da “mulher heroica e trabalhadora”.

Data foi oficializada em 1975

O chamado Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

“Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres”, pontuou Eva Blay.

“Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental.”

Cartaz em Londres dizendo ‘O futuro é feminino’: mulheres de todo o mundo fazem marchas e protestos por direitos iguais na semana do 8 de Março — Foto: EPA

No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto “comercial” em muitos lugares.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.

Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é recomendado pelo governo – mas nem todas as empresas seguem essa prática.

Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

No Brasil, a data também é marcada por protestos nas principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher.

“Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial”, observou Blay.

Segundo ela, mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março, a evolução ainda foi muito pequena.

“Acho que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes, se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, hoje não.”

Apophis estará no ponto mais próximo da Terra nesta sexta (5)

Nesta sexta, o asteroide que recebeu o nome do deus egípcio do caos se torna visível da Terra (felizmente, não a olho nu): o Apophis cruzará a trajetória da Terra, mas sem perigo de se chocar com o planeta – pelo menos, não desta vez.  Ele estará a 0,11 UA (uma unidade astronômica é a distância entre a Terra e o Sol) ou 150 milhões de quilômetros, 44 vezes a distância entre nós e a Lua.

Porém, a cada volta ao redor do Sol, essa distância diminui. Hoje, ela é, no ponto mais distante de nós, de 2 UA, por isso o Apophis (na verdade, 99942 Apophis) é classificado como um asteroide “Atens”, grupo que reúne aqueles cujas órbitas são menores em largura que a da órbita da Terra, ou 1 UA.

Em 2029, porém, ele alargará sua trajetória e será promovido a outro grupo, conhecido como “Apollo”, dos asteroides cuja órbita é maior que 1 UA – esses são considerados mais perigosos. Mesmo quando passar raspando pela zona de satélites de alta altitude, ele não se chocará com a Terra – o mesmo já foi previsto para a passagem do Apophis em 1936.

O problema é que nada é certo em se tratando desse asteroide (aliás, de nenhum deles). A própria luz do Sol tem a capacidade de alterar suas trajetórias, assim como a gravidade da Terra. Por isso, enquanto o sobrevoo deste ano será usado como um exercício para os astrônomos e astrofísicos que integram o sistema de defesa planetária, a passagem do asteroide em 2029 será uma oportunidade única.

Uma década de preparação

“Já sabemos que esse encontro com a Terra afetará a órbita de Apophis, mas nossos modelos também mostram que a aproximação pode mudar a forma como esse asteroide gira, e é possível que haja algumas mudanças na superfície, como pequenas avalanches”, disse o astrônomo Davide Farnocchia, do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS) do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, durante a Conferência de Defesa Planetária em abril de 2019.

Na ocasião e com 10 anos de antecedência, começou a ser esboçado um plano para extrair o máximo de informações sobre o Apophis quando ele se tornar visível a olho nu – inclusive a possibilidade de ser enviada uma sonda até ele para a coleta de material e estudo do seu interior.

“Apophis é um representante de cerca de 2 mil Asteroides Potencialmente Perigosos (Potentially Hazardous Asteroids, ou PHAs) atualmente conhecidos. Ao observá-lo durante seu sobrevoo de 2029, ganharemos importantes conhecimentos científicos que poderão um dia ser usados para defesa planetária”, disse Paul Chodas, diretor do CNEOS.

Amendoim espacial

Um dos aspectos que poderão ser melhor observados este ano é a forma do Apophis (imagens captadas pelo finado radiotelescópio de Arecibo mostraram que ele tem a forma de um gigantesco amendoim). Ele teria a idade do sistema solar (cerca de 4,6 bilhões de anos), vagando desde então entre os planetas e sendo empurrado de um lado para outro pela influência gravitacional principalmente de Júpiter.

A aproximação de um asteroide é a oportunidade de a comunidade astronômica investigar, usando radiotelescópios, a forma e a rotação dos asteroides. Este ano, essa tarefa não será de Arecibo, e sim do Goldstone Deep Space Communications Complex da NASA na Califórnia.

Uma das antenas do Observatório Goldstone, que vai acompanhar o Apophis em sua passagem pela Terra.
Fonte:  Wikimedia Commons/Reprodução 

Desde a última quarta-feita (3), suas antenas estão direcionadas para acompanhar o Apophis, missão que cumprirá até o próximo dia 14, quando o asteroide não estará mais ao alcance. Quem assumirá a tarefa de seguir o mensageiro do caos será o telescópio espacial NEOWISE – pelo menos até o fim de abril.

Brave, o navegador seguro focado em privacidade, anuncia mecanismo próprio de busca

Poucos meses depois de lançar o que podemos chamar de primeiro leitor de notícias focado em privacidade, agora o time por trás do navegador Brave está tentando criar um mecanismo próprio de busca para integrar o browser. A novidade também chega pouco mais de um mês após a empresa atualizar a ferramenta para o protocolo IPFS de navegação descentralizada.

Anunciado nesta quarta-feira (3) como Brave Search, a novidade se apresenta como uma “alternativa de preservação da privacidade”. Alternativa esta, obviamente, ao serviço de busca do Google, que por sua vez é em partes construído a partir de dados aspirados de cada pesquisa que seus usuários fazem, mesmo quando essas buscas acontecem no modo de navegação anônima.

Gabriel Weinberg, CEO da DuckDuckGo, disse há algum tempo que a única maneira infalível de manter suas pesquisas privadas é usar um mecanismo pró-privacidade. A Brave, por sua vez, oferece a seus usuários mais de uma dezena de alternativas de busca para escolher como padrão, incluindo opções de preservação de privacidade, como o próprio DuckDuckGo e o Qwant, cujo slogan é literalmente “o mecanismo de pesquisa que respeita sua privacidade”.

A companhia responsável pelo Brave planeja se alinhar com esses concorrentes agora com o Brave Search. No entanto, traz alguns diferenciais, principalmente se comparado a esses rivais e a opções mais convencionais, como o Google.

Em primeiro lugar, a empresa diz que dará a seus usuários duas opções: uma para pesquisa paga sem anúncios e outra que é gratuita e suportada pela mesma rede de anúncios centrada no Brave. Esta rede, como a companhia destaca, mantém os dados do usuário o mais longe possível de anunciantes que queiram garimpar informações. E ao contrário das métricas um tanto misteriosas que o Google usa para determinar quais sites aparecem primeiro nas buscas, a equipe da Brave já apresentou uma proposta para a forma como seu mecanismo de pesquisa pode classificar os resultados em um formato mais limpo e navegável.

O buscador do Brave ainda não foi lançado oficialmente – algo que deve acontecer já nas próximas semanas. Mas quem estiver interessado pode se inscrever em uma lista de espera clicando neste link.

Primeiro satélite 100% brasileiro, o Amazônia 1

Lançado na Índia, satélite vai gerar imagens mais precisas do desmatamento e de eventuais catástrofes ambientais. Material obtido pelo equipamento deve ser acessível a pesquisadores.

Lançado na madrugada de domingo (28/02), o primeiro satélite 100% nacional vai monitorar o desmatamento, sobretudo na região amazônica, como seu próprio nome sugere. Batizado de Amazonia-1, ele foi totalmente projetado, integrado e testado pelo país — e, a partir de então, será também operado exclusivamente pelo Brasil.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), integra a chamada Missão Amazônia: um esforço da entidade em melhorar o chamado sensoriamento remoto da natureza brasileira.

Conforme enfatiza o Inpe em texto que apresenta o trabalho, além da floresta amazônica, “os dados gerados serão úteis para atender, ainda, a outras aplicações correlatas, tais como: monitoramento da região costeira, reservatórios de água, florestas naturais e cultivadas, desastres ambientais, entre outros”.

O Amazonia-1 é o terceiro satélite a realizar tal trabalho para o Brasil. Ele se soma aos CBERS-4 e CBERS-4A, que já estavam em operação.

“Temos a possibilidade de contar com três satélites com desenvolvimento brasileiro [os outros dois em parceria com a China] operando simultaneamente. Com isso, será gerado maior volume de dados para tratamento de questões ambientais e de preservação da cobertura vegetal”, afirma o diretor do Inpe, o engenheiro eletricista Clezio Marcos de Nardin.

E a missão prevê, para os próximos anos, o lançamento de outros dois: Amazonia-1B Amazonia-2.

“O Amazonia-1 […] reforçará nosso sistema de aquisição de dados e de geração de imagens”, afirma Nardin, explicando que o equipamento deve gerar “dados sobre vegetação, agricultura, compor sistemas de alertas, entre outras aplicações”.

De acordo com com o diretor do Inpe, a expectativa é que haja um ganho principalmente no volume de dados obtidos.

Uso para a agricultura

Graças a uma câmera de alta resolução e amplo espectro, o material produzido pelo satélite também deve ser útil para a agricultura. “Entre as possibilidades de monitoramento de fenômenos dinâmicos encontram-se as safras agrícolas e a determinação de queimadas persistentes”, afirma ele.

O equipamento é projetado para gerar imagens do planeta a cada cinco dias — e, sob demanda, é capaz de fornecer dados de um ponto específico em dois dias. Em caso de um eventual desastre ambiental, por exemplo, como o rompimento da barragem em Mariana, em 2015, o monitoramento poderá ser ajustado para o local. Focos de queimada também poderão ser visualizados. A estrutura conta com 14 mil conexões elétricas. Se esticados, todos os seus fios chegariam a 6 quilômetros.

Conforme enfatiza o agrônomo Cláudio Almeida, coordenador do programa de monitoramento da Amazônia e demais biomas, do Inpe, o maior ganho se dará pela soma. Com três satélites em operação, um mesmo ponto pode ser “revisitado” em um intervalo de um a dois dias — conferindo precisão inédita ao monitoramento.

Todo o material coletado deve ser disponibilizado para a comunidade científica.

“O Inpe foi pioneiro na política de disponibilizar dados de sensoriamento remoto gratuitamente desde 2004. E essa política deve ser mantida para o Amazonia-1, de modo que toda a sociedade tenha acesso às imagens e possa utilizá-las”, acrescenta Almeida.

O lançamento foi feito na Índia, para onde o satélite havia sido enviado há dois meses.

“Foi realizada uma concorrência internacional para a escolha do foguete responsável [pela operação]. A proposta vencedora foi a do Polar Satellite Launche Vehicle, um lançador indiano”, esclarece Nardin.

Para o desenvolvimento do satélite foram investidos cerca de R$ 300 milhões. A contratação do veículo indiano custou outros R$ 20 milhões.

Todo o projeto foi concebido no início dos anos 2000. Até 2008 era conduzido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“A complexidade envolvida em projetos espaciais, a necessidade de estabelecer diversas contratações industriais e a experiência do Inpe nos desenvolvimentos e contratações industrais fizeram com que esse desenvolvimento fosse transferido para o instituto [o Inpe]”, conta Nardin.

O uso dos dados gerados

À DW, o pesquisador Tiago Reis, que estuda ações de combate ao desmatamento e de uso do solo na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, espera que a melhoria do monitoramento seja acompanhada de uma eficiência na fiscalização.

“Do ponto de vista técnico, um trabalho primoroso. Mas a questão é: o que o vamos fazer com esses dados? Será investido mais em fiscalização e combate aos desmatamentos? Isso é o que interesse”, comenta ele.

“O satélite novo é muito interessante e realmente vai permitir que o Brasil domine toda a tecnologia de monitoramento e sensoriamento remoto do desmatamento, com precisão e agilidade. Mas isso, de certa forma, já temos e de forma boa o suficiente”, argumenta. “Daqui a pouco, vamos conseguir ver a unha encravada do desmatador. E aí? O que vamos fazer com essa informação? Vamos ficar só olhando ou faremos alguma coisa?”

Sistema de Multiatendimento via whatsapp: devo utilizar na minha empresa?

O atendimento via whatsapp é cada vez mais comum, principalmente nas pequenas e médias empresas brasileiras.

Isso não é por acaso, estima-se que cerca de 140 milhões de brasileiros utilizam o whatsapp todos os dias!

É um número gigante de usuários, que corresponde a 67% da população nacional.

Dessa maneira, o aplicativo que virou febre no Brasil, entrou na mira das empresas e está se tornando uma importante fonte de relacionamento.

Por que as empresas estão optando pelo atendimento via whatsapp?

Bem, o atendimento via whatsapp é utilizado por diversos motivos, abordaremos alguns neste artigo.

O primeiro deles é que o whatsapp é fácil de utilizar, ele está presente no dia-a-dia do brasileiro.

Assim, nós já estamos acostumados com o aplicativo, fazendo com que a curva de aprendizado seja menor.

Um outro fator determinante para as empresas realizarem o atendimento por whatsapp é que, principalmente empresas pequenas, não possuem conhecimento suficiente sobre práticas e ferramentas de suporte.

Além disso, há um desejo dessas empresas de utilizar a tecnologia ao seu favor e, dessa maneira, potencializar o seu negócio.

E o whatsapp acaba sendo uma forma relativamente fácil de fazer isso.

Vantagens do atendimento online via whatsapp

Facilidade de uso e acessibilidade

Como expliquei no inicio do texto, o whatsapp é simples e acessível, o seu cliente provavelmente já utiliza o aplicativo.

Isso faz com que seja fácil para ele responder e manter um relacionamento com você, não necessitando que ele aprenda como utilizar um sistema.

Além disso, o whatsapp é um dos poucos canais de atendimento que permite que seu usuário te responda praticamente de qualquer lugar.

Praticidade e agilidade

Justamente por permitir que o usuário te responda em praticamente qualquer lugar, faz com que o atendimento por whatsapp seja mais prático para o usuário e mais ágil também.

No whatsapp o atendimento é quase instantâneo, assim, o seu cliente não precisa esperar dias por uma resposta via e-mail, por exemplo.

Isso é um fator que os consumidores levam muito em consideração.

Um relatório recente da Zendesk descobriu que quase 60% dos usuários consideram a demora, a principal causa de uma experiência ruim de atendimento.

Aproximação com o cliente

Como o whatsapp é uma rede que o seu cliente utiliza para falar com amigos e familiares, quando uma empresa utiliza o whatsapp para atendimento, faz com que ele se sinta mais próximo da marca.

Isso acontece, porque o cliente  sabe que o whatsapp é uma ferramenta que ele utiliza para comunicação com pessoas do seu círculo.

Permitir que ele possa resolver problemas ou comprar algo através da ferramenta, pode fazer com que ele assimile a ideia de que a empresa também faz parte desse círculo mais íntimo.

Humanização no atendimento

Já falamos diversas vezes aqui no blog sobre a importância da humanização no atendimento.

Seu cliente gosta de ser tratado como ser humano e não como um número/ticket.

Através do whatsapp, é mais fácil para o agente ter um contato mais um humano com os usuários, o aplicativo permite uma maior informalidade que o e-mail, por exemplo.

Personalização

Personalizar seu atendimento é fundamental para aumentar a satisfação dos clientes.

E o atendimento via whatsapp pode ser uma excelente maneira de fazer isso, graças ao seu contato mais próximo entre empresa e cliente.

Observando pela perspectiva do usuário, no whatsapp as pessoas costumam escrever de maneira relaxada, o que provavelmente não fazem por e-mail.

E isso te permite identificar como o seu cliente se comporta e se adaptar a maneira que ele se comunica.

Desvantagens do atendimento via whatsapp

Como nem tudo é perfeito, existem vantagens e desvantagens de se trabalhar o atendimento via whatsapp.

E para te ajudar a decidir se o atendimento via whatsapp é um canal ideal para a sua empresa, falaremos um pouco sobre algumas desvantagens.

Invasivo

Bem, apesar de polêmico, este é um ponto chave quando se fala de atendimento online por whatsapp.

Alguns usuários podem achar que o atendimento via whatsapp é invasivo, principalmente se esse atendimento parte da empresa para o usuário.

Então, é importante tomar bastante cuidado nessas interações, para não aborrecer os seus clientes.

Isso acontece porque muitas empresas utilizam não apenas para atender, mas também para realizar vendas a partir do aplicativo.

O ideal é oferecer o whatsapp como um canal de atendimento, deixando livre para o cliente fazer essa escolha e, nessa perspectiva, ele estará entrando em contato com você.

Métricas

Apesar de existir o whatsapp business, tenha em mente que esse aplicativo não foi desenvolvido para ser um sistema de atendimento ao cliente.

Por isso, existem uma série de coisas que você não vai encontrar utilizando o atendimento online por whatsapp, e isso incluí métricas de atendimento.

Analisar métricas é importante para identificar como anda os atendimentos da sua empresa e definir quais estratégias serão mais assertivas.

E isso é, sem dúvida, um ponto negativo

Não é possível usar o app em vários dispositivos de forma independente

Diferente de outros canais, o whatsapp não permite a integração entre plataformas de maneira sólida.

No whatsapp, para realizar o atendimento via o computador, por exemplo, você pode até utilizar o whatsapp web, mas com uma série de limitações.

O uso do sistema depende completamente do seu celular, ele tem de estar conectado na internet e o aplicativo para web funciona apenas como um espelho do dispositivo.

Além disso, o whatsapp web as vezes falha na conexão, demonstrando instabilidade de integração entre o computador e o celular.

Problemas que não existem em outros aplicativos, como o Telegram, por exemplo, que permite utilizar vários dispositivos de forma completamente independente.

Organização e segmentação dos atendimentos

Uma ferramenta de helpdesk te permite organizar e segmentar os chamados de maneira simples.

Entretanto, isso não acontece com o whatsapp, afinal, ele não foi feito para esse propósito.

Por isso, neste ponto, não é que seja uma desvantagem do aplicativo, mas sim, uma desvantagem relativa ao seu uso para essa finalidade.

O app até possui uma funcionalidade de criar etiquetas e segmentar os clientes por essas tags, mas é algo feito de maneira manual e pouco prática.

Dessa maneira, se você possuí um nível muito grande de chamados, isso pode ser uma limitação para a sua empresa.

Dicas de atendimento via whatsapp

Agora que você já conhece as vantagens e desvantagens do atendimento via whatsapp, que tal conhecer as boas práticas para utilizar melhor?

Defina um horário de atendimento

Não é porque o seu cliente fica até tarde grudado no celular que ele deseja receber uma mensagem da sua empresa às 22:00, por exemplo.

Isso acontece principalmente em empresas pequenas e microempreendedores, que não possuem definições sobre horários e tempo de resposta.

E isso é fundamental para um atendimento de qualidade, portanto, defina horários de atendimentos e prazos.

Eu recomendo que você utilize o whatsapp apenas em horário comercial.

Não exagere nas interações

O fato do atendimento via whatsapp aproximar as empresas e os clientes fazem com que algumas empresas cometam abusos nesse relacionamento.

O fato de você possuir o número de whatsapp daquele cliente não significa que você pode enviar diversas mensagens e invadir a privacidade dele.

Portanto, cuidado para não enviar mensagens demais e, também, com a informalidade demais. O ideal é conhecer bem a sua persona.

Ultilize um sistema de Automaticação WhatsApp – SAW

Nós temos um sistema, que permite você criar um menu interativo, e respostas automáticas pelo whatsapp e além disso nosso sistema permite que você possua vários atendentes atendendo em um mesmo número de Whatsapp.

Entre em contato com a nossa equipe de suporte para mais detalhes.

Conclusão

Se for feita da forma correta, o atendimento ao cliente via whatsapp pode se tornar uma ferramenta extremamente poderosa.

A tecnologia deve ser sempre utilizada para aproximar a sua empresa dos seus clientes.

WhatsApp reage à confusão sobre Facebook e privacidade

Novos termos de privacidade geram polêmica para WhatsApp; Facebook tenta se explicar, mas abre caminho para Telegram e Signal

O que parecia ser uma mudança rotineira nos termos de privacidade acabou virando uma dor de cabeça para o WhatsApp. Muitos veículos da imprensa entenderam que o app passaria a obrigar o compartilhamento de dados com o Facebook, algo que na verdade ocorre desde 2016. A empresa demorou demais para “evitar a disseminação de notícias incorretas e rumores”, minando a confiança no mensageiro e abrindo caminho para Signal e Telegram.

WhatsApp exige troca de dados com Facebook desde 2016

Basicamente, o que causou toda a comoção não foi algo que a atual política de privacidade adicionou. Na verdade, foi algo que o WhatsApp tirou: não há mais um trecho que mencionava a possibilidade de não compartilhar dados com o Facebook. De fato, essa opção existiu… até 24 de setembro de 2016; para a grande maioria dos usuários, que não desligaram essa integração dentro do prazo, a troca de informações já era obrigatória.

Este é o trecho relevante:

Se você já usa o WhatsApp poderá escolher não compartilhar os dados da sua conta do WhatsApp com o Facebook para melhorar suas experiências com anúncios e produtos no Facebook. Os usuários atuais que aceitarem os nossos Termos e Política de Privacidade atualizados terão 30 dias adicionais para definirem sua escolha em Configurações/Ajustes > Conta.

Esse prazo de 30 dias acabou em 2016, quando o WhatsApp tinha 1 bilhão de usuários; agora são mais de 2 bilhões. E já na época, os termos deixavam explícita essa integração: “passamos a fazer parte da família de empresas do Facebook em 2014; como parte desta família, o WhatsApp recebe e compartilha dados com os demais membros”.

Entre os exemplos, a empresa dizia: “o Facebook e outras empresas do mesmo grupo podem usar dados do WhatsApp para fazer sugestões (por exemplo, de amigos, de contatos ou de conteúdo interessante) e mostrar ofertas e anúncios relevantes”. Nada disso mudou nos últimos cinco anos.

Reação negativa ao WhatsApp

O WhatsApp compartilha com o Facebook dados como seu número de telefone (não a agenda de contatos), informações do celular (como o sistema operacional) e seu endereço IP. A empresa continua dizendo que “suas mensagens são criptografadas para que nós ou terceiros não possamos lê-las”; a criptografia de ponta a ponta, que usa o protocolo Signal, não mudou. No entanto, muitos usuários ficaram com a impressão de que o mensageiro iria revelar suas conversas particulares.

Para mim, a reação negativa ao WhatsApp surgiu de uma combinação de fatores:

  • inúmeras notícias trouxeram o título enganoso de que o WhatsApp iria suspender usuários que não aceitassem a troca de dados com o Facebook, algo que já era obrigatório desde 2016 – isso foi repetido tantas vezes que acabou sendo aceito como verdade;
  • o WhatsApp foi associado à imagem negativa que várias pessoas têm do Facebook, depois de inúmeras polêmicas sobre privacidade como o escândalo Cambridge Analytica;
  • veio à tona uma possível “fadiga de WhatsApp, usado no Brasil e outros países como a principal (e às vezes única) forma de contato entre amigos, parentes, clientes e empresas.  O app é inescapável mesmo para quem não gosta dele, e essa polêmica deu um motivo para externar essa frustração.

WhatsApp tenta conter danos

Quando o WhatsApp resolveu responder à polêmica, milhões de pessoas já levantavam dúvidas sobre a confiabilidade do app. A empresa publicou um FAQ garantindo que “o WhatsApp e o Facebook não podem ler suas mensagens nem ouvir suas chamadas com colegas de trabalho, amigos e familiares”.

O WhatsApp também afirma que não mantém registro das pessoas para quem você ligou ou enviou mensagens; não pode ver sua localização compartilhada; nem compartilha seus contatos com o Facebook (apenas seu número de celular, tal como é feito há anos).

O objetivo era dar maior transparência sobre as conversas que você pode ter com empresas no app. Elas poderão armazenar as mensagens em serviços de hospedagem do Facebook para poderem acessá-las a partir de mais de um dispositivo, removendo uma limitação atual do WhatsApp Web.

Além disso, se você acessar o catálogo de uma empresa no WhatsApp através do recurso Lojas, “suas atividades de compra poderão ser usadas para personalizar sua experiência nas Lojas e os anúncios que você vê no Facebook e no Instagram”.

Telegram e Signal crescem com polêmica do WhatsApp

A resposta do WhatsApp, que em último caso deveria ser responsável por sua própria reputação, demorou demais. Eis o que aconteceu nos últimos dias:

  • o bilionário Elon Musk criticou o Facebook e deu uma sugestão para seus seguidores: “usem o Signal”;
  • o presidente executivo da Signal Foundation, Brian Acton, diz que a base de usuários do mensageiro “explodiu” – o executivo é cofundador do WhatsApp e apoiou a campanha #DeleteFacebook;
  • o Telegram registrou 25 milhões de novas adições em questão de dias e ultrapassou a marca de 500 milhões de usuários;
  • Telegram e Signal chegaram ao primeiro lugar em downloads no Google Play e na App Store em dezenas de países;
  • o WhatsApp está sendo investigado na Turquia por causa da nova política de privacidade;
  • no Brasil, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) vai notificar WhatsApp e Facebook pelo mesmo motivo; enquanto o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) cogita medida semelhante.

Tudo isso será o bastante para “derrubar” o app de mensagens? Ainda é cedo para saber: o Facebook já passou por polêmicas semelhantes mas a empresa segue firme, lucrando bilhões a cada trimestre. No entanto, isso certamente teve algum impacto no WhatsApp, dado que eles se viram obrigados a esclarecer a situação.

Cansado das mesmas perguntas, e o pior, ter que dar as mesmas respostas no Whatsapp? que tal deixar-nos resolver esse problema para você! Automatize o Whatsapp da sua empresa.